Há sintomas que aparecem no corpo e sintomas que aparecem na repetição — a mesma dinâmica de relacionamento que se refaz com pessoas diferentes, o projeto que nunca sai do papel, a insônia que chega justo quando o dia finalmente se aquieta. A psicanálise não trata esses fenômenos como problemas a serem corrigidos por força de vontade. Trata-os como formações do inconsciente: tentativas, ainda que sofridas, de dizer algo que não encontrou outra via.
Meu trabalho com a Psicanálise parte de um princípio de mais de 23 anos de escuta no ambiente terapêutico da clínica, e não como discurso de efeito: mente e corpo não são registros separados que se comunicam de vez em quando — são um só tecido. Um trabalho que se detém apenas na palavra, ignorando o que o corpo guarda, ou que se detém apenas na sensação, ignorando o que o inconsciente insiste em repetir, deixa a experiência pela metade. É nesse cruzamento — entre a escuta psicanalítica e mais de duas décadas de trabalho corporal — que este espaço se constrói.
Todo processo de análise bem sucedido precisa do encontro desses pares, o analisante que se dispõe a colocar em palavras o que o atravessa e a escuta flutuante e presente do analista que se faz como alguém que ecoa o que ouve com nuances de um conhecimento que se mostra eficiente há muito tempo. E através desse encontro, ambos conseguem construir juntos um novo caminho a ser trilhado e experienciado com novas possibilidades na vida.
Se você chegou até aqui, possivelmente seu inconsciente está dizendo que se coloca em prontidão para revelar o motivo de tantas repetições, então te convido a olhar para isso com a disposição de quem deseja viver algo novo.